Os vegetais, por terem uma ligação histórica de natureza prática com o homem, sendo importante fonte de alimento, matéria-prima e abrigo, vêm sendo classificados ao longo do processo histórico de domesticação.
A classificação aqui adotada representa a mais divulgada e corrente e divide os vegetais em dois grupos: as criptógamas, grupo de plantas cujos órgãos sexuais não são aparentes (não produzem flores); e as fanerógamas, grupo de plantas cujos órgãos sexuais são aparentes (produzem flores).
 
CRIPTÓGAMAS
Algas
Algas são vegetais aquáticos ou próprios de locais úmidos e providos de talo (corpo sem tecido). São uni ou pluricelulares.
Algas douradas (crisofíceas): são unicelulares e se caracterizam por apresentar uma carapaça de sílica que, ao microscópio óptico comum, apresentam uma coloração dourada. São exclusivamente marinhas.
Algas verdes (clorofíceas): são uni ou pluricelulares e caracterizam-se por apresentar clorofila como principal pigmento, o que lhes atribui a cor verde. Têm ampla distribuição, ocupando ambientes terrestres úmidos favoráveis, além dos ambientes marinhos.
Algas pardas (feofíceas): são pluricelulares, caracterizam-se por apresentar um pigmento predominante, além da clorofila, que lhes atribui uma coloração parda.
Algas vermelhas (rodofíceas): de maioria pluricelular, caracterizam-se por apresentar um pigmento avermelhado predominante, além da clorofila, que lhes atribui a cor vermelha. São predominantemente marinhas, ocorrendo algumas espécies em água doce. Reproduzem-se assexuadamente, mediante esporos, ou sexuadamente.
Importância
São responsáveis pela produção de aproximadamente 90% do oxigênio do planeta, fornecendo-o para os demais seres vivos que dele dependem, uma vez que é produzido em excesso para elas próprias.
Apresentarem um ciclo reprodutivo rápido, iniciando a maioria das cadeias alimentares marinhas e garantindo a sua manutenção.
Além de amplamente utilizadas como alimento pelos povos orientais, há a indústria associada à produção de ágar e de algina.
 
Briófitas
Plantas que apresentam estruturas simplificadas, exercendo as funções de raiz, caule e folha, denominadas, respectivamente, rizoide, caulículo e filoide. São terrestres, ocorrendo em ambientes úmidos e de baixa intensidade luminosa (sombra). Apresentam sexos separados, com ciclo reprodutivo caracterizado por alternância de gerações.
O fato de não apresentarem tecido (são avasculares) condutor de nutrientes (sais minerais) e água, têm um reduzido tamanho, pois o transporte é realizado de célula a célula por osmose e difusão.
São encontradas em abundância em matas tropicais.
Importância
Agentes decompositores de rochas no processo de formação dos solos, fixam-se às briófitas após os líquens.
 
Pteridófitas
Plantas clorofiladas que possuem raiz, caule e folha diferenciados, associados à presença de tecidos (vasos) condutores de nutrientes e água (seiva bruta) e de produtos da fotossíntese (seiva elaborada) e, por isso, denominadas plantas vasculares, o que lhes permitiu atingir tamanhos de até dezenas de metros.
Elas apresentam um grau de complexidade superior às avasculares. Têm o corpo organizado em raiz, caule e folhas.
As avencas e as samambaias são os representantes mais conhecidos destas plantas.
A samambaia, por exemplo, com suas folhas compostas, corresponde ao esporófito – ou seja, produz esporos. Estes são produzidos por estruturas presentes na porção inferior dos folíolos denominados soros (pontinhos marrons).
O gametófito, produtor de gametas, é pouco evidente, apresentando apenas alguns centímetros de tamanho.
As pteridófitas são responsáveis pela produção de grande parte do combustível hoje consumido sob a forma, por exemplo, de gasolina e óleo diesel.
 
FANERÓGAMAS
Espermatófitas
As fanerógamas constituem o grupo vegetal mais evoluído e predominante na atualidade nos hábitats terrestres. Distinguem-se das criptógamas na reprodução por sementes e por possuírem flores, mesmo que em alguns casos não sejam visíveis.
Dividem-se em dois grandes grupos: gimnospermas e angiospermas.
São plantas clorofiladas que, além de raiz, caule e folha, possuem flor (fanerógamas) e produzem sementes (de esperma = semente).
Gimnospermas
Caracterizam-se por possuírem raiz, caule, folha, flor e semente.
Seus representantes mais conhecidos são os pinheiros, os ciprestes, as plantas exóticas e a araucária, planta nativa brasileira.
São plantas amplamente utilizadas nos reflorestamentos, para a produção de papel. A madeira é usada na construção e fabricação de móveis; é usada também como combustível, além da utilização de sua resina na indústria química.
Angiospermas
Sua principal característica é a flor, já descrita como órgão da reprodução. Na forma e no tamanho, apresentam grande variedade, já que incluem ervas, arbustos e árvores, espécies epífitas, outras parasitas e carnívoras.
A maioria é terrestre, mas existem aquáticas, flutuantes, submersas e inclusive algumas marinhas.
A flor das angiospermas apresenta uma estrutura complexa, formada por folhas modificadas que compõem todas as estruturas reprodutivas e anexas.
A flor é composta por um grupo de folhas que se fundem, formando o ovário, do qual se projeta um prolongamento denominado estilete, que termina em uma estrutura receptiva denominada estigma, onde serão depositados os grãos de pólen.
Outra fusão de folhas modificadas forma, geralmente, a estrutura masculina da flor, denominada estame, e composta por um fino tubo, denominado filete, e uma porção terminal, denominada antera, a qual produz os grãos de pólen androceu.
Envolvendo as partes reprodutivas, encontram-se folhas modificadas, geralmente, fortemente pigmentadas, denominadas pétalas.
Envolvendo-as, há folhas modificadas de coloração, geralmente verde, denominadas sépalas. A esse conjunto, damos o nome de corola. A haste que sustenta todo o conjunto recebe o nome de pedúnculo floral.
Cabe destacar que a fecundação nas angiospermas é dupla.
A polinização é o transporte dos grãos de pólen da antera ao estigma da flor; a mais frequente é a polinização cruzada (de uma flor para outra), feita pelos chamados agentes polinizadores, como: vento, água, pássaros, morcegos, insetos e até pelo próprio homem.
A fecundação da oosfera por um núcleo espermático originará, na semente, o embrião, e a fecundação dos núcleos polares, por outro núcleo espermático, originará, na semente, o endosperma.
O ovário, após esta fecundação, modifica-se por ação hormonal, formando o fruto que, geralmente, envolve as sementes.
A grande variedade de formas de dispersão de frutos, que ocorre entre as angiospermas, garante-lhes a ampla distribuição e ocupação dos mais variados ambientes.
As angiospermas podem ser ainda divididas em dois grandes grupos de plantas com características particulares e diferenciais: as monocotiledôneas – apenas um cotilédone na semente –, e as dicotiledôneas – dois cotilédones na semente.
Os cotilédones são estruturas resultantes da diferenciação da semente e encerram o endosperma com substâncias essenciais para o crescimento inicial da plântula, como aminoácidos.
No milho, observamos a presença de apenas um cotilédone; trata-se, portanto, de uma monocotiledônea. No entanto, no feijão, encontramos dois cotilédones; trata-se, pois, de uma dicotiledônea.
 
MORFOLOGIA VEGETAL
Raiz
A raiz típica de uma dicotiledônea é do tipo axial, ou seja, possui um eixo principal vertical à linha do horizonte e desenvolve-se no sentido do centro da terra; trata-se, geralmente, de um órgão subterrâneo.
Está dividida anatômica e funcionalmente em zonas representadas a partir do ápice da raiz:

É interessante notar que apenas as dicotiledôneas apresentam crescimento secundário ou em espessura. As monocotiledôneas crescem apenas em comprimento (crescimento primário), não realizam crescimento secundário.
As funções principais da raiz são a sustentação da planta, a absorção de água e nutrientes do solo e as trocas gasosas.
Caule
O caule desenvolve-se, na maioria das vezes, em sentido oposto à aceleração da gravidade, portanto para cima; pode ser axial (um eixo apenas) ou ramificado (vários eixos de desenvolvimento).
As funções principais do caule são a sustentação da copa com folhas e a condução das seivas bruta e elaborada, através dos vasos condutores xilema e floema, respectivamente, e ainda pode realizar fotossíntese (como nos cactos e nas plântulas), enquanto ainda possui clorofila.
Folha
A folha é uma estrutura laminar composta pelo limbo, superfície verde, percorrida pelas nervuras, que encerram os vasos condutores. Estas nervuras convergem para um eixo central denominado pecíolo, que atua como estrutura de sustentação da folha, ligando-a ao caule
As principais funções da folha são a realização das trocas gasosas, da fotossíntese, da transpiração, gutação e reprodução assexuada, em alguns casos.