O período colonial do Brasil abrange praticamente três séculos de história. Nele Portugal começou a exploração econômica da colônia.
 
Primeiras expedições
As primeiras expedições tinham três motivos básicos:

 
EXPLORAÇÃO DO PAU-BRASIL
A madeira de pau-brasil era muito valorizada na Europa.
Essa foi a única atividade econômica desenvolvida no Brasil até 1530.
Mesmo sendo feita por todo o período pré-colonial, a extração não provocou a ocupação da terra.
 
A VIDA DOS NATIVOS BRASILEIROS 
Os índios do território brasileiro eram cerca de 6 milhões. Viviam de caça e pesca, coleta de frutos e raízes e, em menor escala, da agricultura, pois, como não conheciam o comércio, praticavam o escambo, a troca de mercadorias.
Quando a colonização teve início, os europeus passaram a ver o índio ou como um entrave para o desenvolvimento da colônia, ou como mão de obra escrava a ser explorada.
 
A colonização
Em 1530, os portugueses vieram para ficar.
Martim Afonso fundou a primeira vila – São Vicente – em 1532.
Para viabilizar economicamente o pequeno núcleo colonial, foi escolhida a cultura da cana-de-açúcar, mas por que Portugal decidiu colonizar o Brasil? Devido ao medo de que o Brasil fosse ocupado por outros povos; em virtude do declínio do comércio de especiarias, que não dava mais tanto lucro, bem como em decorrência da descoberta de jazidas de ouro e prata na América espanhola.
Aqui também poderiam existir riquezas naturais.
Em 1534, foram criadas as capitanias hereditárias, terras doadas aos chamados donatários em caráter vitalício e hereditário. Em geral, os donatários eram pessoas da confiança e tinham total poder (militar, judicial, político e fiscal) sobre o lote.
O sistema de capitanias era regulamentado pela Carta de Doação, que estabelecia os poderes do donatário, e o Foral, que regulamentava a cobrança de impostos: quais seriam pagos ao donatário e quais à Coroa.
O sistema de capitanias não apresentou resultados positivos.
Com o tempo, as capitanias retornaram para o governo português.
Em 1548, Portugal criou o Governo-Geral.
O novo sistema surgiu também para que Portugal coordenasse melhor a defesa do território e porque a Coroa queria centralizar o poder.
A capitania escolhida para ser a capital do governo foi Salvador. Como ficava no meio do território, seria mais fácil a comunicação dela com as outras capitanias.
Os mais importantes governadores gerais foram Tomé de Souza, Duarte da Costa e Mem de Sá.
 
O governo de Tomé de Souza (1549-1553)
Foi marcado pela vinda dos primeiros jesuítas, pela expansão da agricultura e pelo início da pecuária, com a incumbência de construir a capital – Salvador.
No governo de Duarte da Costa (1553-1558), administração de Mem de Sá aumentou a catequização dos índios e também a guerra contra os nativos hostis. Houve o início da importação de escravos da África e o desenvolvimento da agricultura.
A Coroa portuguesa optou por plantar cana-de-açúcar no Brasil.
Toda a produção era voltada para o mercado externo. Com isso, a plantação de açúcar gerou o enriquecimento do senhor de engenho.
Os portugueses usavam mão de obra indígena na produção do açúcar, mas eles não se adaptavam às ordens do senhor de engenho, então a produtividade era baixa.
A solução encontrada foi trazer os negros da África e escravizá-los.
Resumindo, o engenho era a unidade de produção da empresa açucareira e desenvolveu-se no Nordeste por causa do solo de massapé e pela proximidade dos centros consumidores. Tinha mão de obra escrava e o dono da terra era o senhor de engenho.
A vinda de escravos negros para o Brasil começou no Governo-Geral de Mem de Sá.
Por mais de 300 anos, a lavoura brasileira trabalhou com os escravos. Eles vinham para o Brasil a bordo dos navios negreiros em condições péssimas de higiene e muitos morriam antes de chegar.
Em 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que acabou com a escravatura no Brasil.
Podemos dizer que a escravidão foi o que de pior aconteceu na História do Brasil.
A sociedade na região, produtora de cana-de-açúcar, tinha três características marcantes: era latifundiária, escravocrata e patriarcal.
Durante o período colonial o Brasil sofreu vários ataques estrangeiros e de vários tipos: desde atos isolados, até invasões que duraram alguns anos.
As maiores invasões foram as francesas e holandesas.
Em 1555, sob o comando de Nicolau de Villegaignon, invadiram a Baía de Guanabara e fundaram a França Antártica.
O maior ataque francês no Nordeste aconteceu no Maranhão. A invasão durou três anos: de 1612 a 1615. Eles fundaram um forte chamado São Luís, que deu origem à capital do estado.
Entre 1530 e 1580, a presença de ingleses na costa brasileira era constante. Sempre trocavam mercadorias com os portugueses e com os índios.
A Holanda foi a principal financiadora das construções dos engenhos no Brasil. Em troca, conquistou o rico monopólio da distribuição e do refino do açúcar brasileiro.
As invasões holandesas foram as mais importantes, porque duraram mais e trouxeram muitas consequências para a cultura e economia do Brasil.
No Brasil, os portugueses escolheram o Nordeste por causa da produção de açúcar. Para poder administrar os lucros com as terras invadidas, os holandeses criaram a Companhia das Índias Ocidentais.
Em 1640 teve início a Insurreição Pernambucana – um conjunto de batalhas travadas entre holandeses e luso-brasileiros para expulsar os invasores. Em 1654, os portugueses venceram a Batalha de Guararapes. Assim terminou a invasão da Holanda no Brasil.
A principal consequência da presença dos holandeses foi o declínio da lavoura açucareira. Como já conheciam a produção de cana-de-açúcar, o transporte, o refino e a distribuição, ficou fácil plantar o produto nas Antilhas e concorrer com as fazendas nordestinas.
A catequização dos índios não só permitiu seu contato com o mundo europeu, mas também facilitou sua escravização.
Em 1554, os padres José de Anchieta e Manuel da Nóbrega fundaram o colégio de São Paulo, que depois deu origem à cidade.
Essas ações dos jesuítas acabaram enfraquecendo a cultura tupi-guarani e favorecendo o poder dos portugueses.
A colonização brasileira ocorreu no litoral.
Todo processo exploratório acontecia na faixa litorânea e o interior ficou esquecido por muitos anos.
Quando a lavoura açucareira começou a enfraquecer, a Coroa portuguesa decidiu expandir a colonização e descobrir o interior do Brasil.
Sabemos que as entradas eram, geralmente, organizadas pelo governo, e as bandeiras, por particulares.
São Vicente não conseguiu criar uma cultura de exportação.
A produção agrícola dos paulistas, então, passou a ser de subsistência: só plantavam para o consumo. A subsistência e a falta de um produto para exportação fizeram com que os paulistas vivessem isolados do resto da colônia.
As bandeiras eram formadas por homens brancos, índios e mestiços. De acordo com a finalidade da expedição, elas poderiam ser classificadas como Apresadoras, Prospectoras ou de Monções.
As consequências das bandeiras foram o povoamento do interior do Brasil, o desenvolvimento do comércio e da pecuária, o aumento das mortes entre os índios e a descoberta de ouro e prata, que desencadeou o ciclo da mineração.
A mineração ou ciclo do ouro que aconteceu no Brasil no século XVIII trouxe importantes modificações na vida econômica e política da colônia.
As técnicas empregadas eram simples, como alguns pratos de estanho, poucas ferramentas e algumas peneiras.
Com essa facilidade, o ciclo do ouro não produziu uma aristocracia rural. Houve maior distribuição de riqueza e o mercado consumidor pôde expandir-se mais rapidamente, gerando um crescimento econômico maior.
A capital, que ficava em Salvador, foi transferida para o Rio de Janeiro, cidade mais próxima das zonas produtoras de ouro e prata.
À medida que as jazidas foram se esgotando, a violência das Intendências aumentou. Isso gerou conflitos com a população e foi uma das causas da Inconfidência Mineira de 1789.
Existiam duas unidades produtoras: as lavras e as faiscações.
Na zona mineradora, o número de faiscações era muito maior do que o de lavras.
A fase de exploração do ouro brasileiro por parte dos portugueses trouxe para o país:

A população colonial, que há mais de dois séculos convivia com os abusos de Portugal, começou a se revoltar.
Conhecidas como revoltas nativistas, essas rebeliões não propunham a independência, mas a mudança nas regras.
A Revolta de Beckman aconteceu em Belém, em 1684. Com a escassez e os preços altos, a vida dos colonos tornou-se impossível. Os irmãos Beckman comandaram a revolta. Portugal sufocou o movimento, mas a Companhia foi fechada.
A Guerra dos Emboabas foi a briga entre os paulistas – que descobriram e colonizaram Minas Gerais – com os forasteiros (emboabas) que vinham procurar ouro.
 
Guerra dos Mascates
Foi a briga entre os ricos comerciantes de Recife contra os decadentes senhores de engenho de Olinda.
 
Revolta de Vila Rica
Aconteceu em 1720, em Minas Gerais, após a criação das Casas de Fundição. Felipe dos Santos liderou uma multidão e dirigiu-se à vila de Ribeirão do Carmo (atual Mariana) para exigir do governador de Minas o fechamento da Casa de Fundição e a redução dos impostos.
 
Declínio do Sistema Colonial
Desde o começo da Revolução Industrial na Inglaterra, o mercantilismo e o capitalismo comercial entraram em declínio.
A Revolução Francesa e a independência dos Estados Unidos também contribuíram para a queda do antigo regime.
No Brasil, outro motivo para o declínio do poder português foi o aparecimento da classe média.
As três mais importantes revoluções pré-independência foram a Inconfidência Mineira, em 1789, a Inconfidência Baiana, em 1798, e a Revolução Pernambucana, em 1817. Todas essas revoltas foram organizadas pela classe média.
 
Inconfidência Mineira
Aconteceu em 1789, em Vila Rica, Minas Gerais.
Um grupo de classe média, comandado por Tiradentes, tentou a libertação do Brasil das mãos da Coroa portuguesa.
O principal objetivo dessa insurreição era conseguir a libertação de Minas e do Rio de Janeiro.
Os inconfidentes queriam, também, criar uma universidade em Vila Rica e fundar uma república nos moldes norte-americanos. Mas, a maioria dos inconfidentes era a favor da escravatura e não tinha planos para tirar a população da pobreza.
 
Inconfidência Baiana
Também chamada de Conjuração Baiana, aconteceu em Salvador em 1798. As rígidas leis portuguesas e a pobreza do povo foram, de novo, as causas desta revolta.
Os baianos queriam libertar o Brasil, abolir a escravidão e combater a pobreza. Portugal reagiu com rigor, prendendo e enforcando os líderes.
 
Revolução Pernambucana de 1817
Movimento de caráter liberal e republicano, também conhecido como Revolução dos Padres, foi o único que conseguiu tomar o poder por algum tempo. Os revolucionários pernambucanos formaram um governo provisório e tiveram a adesão da Paraíba e Rio Grande do Norte. Mesmo assim, após algumas semanas, Portugal conseguiu reocupar a região.