Literatura portuguesa
 
Trovadorismo
O primeiro período reconhecido da literatura portuguesa iniciou-se por volta de 1198. O texto mais antigo conhecido é a “Cantiga da Ribeirinha”, de Paio Soares de Taveirós, dedicado a Maria Pais Ribeiro. O idioma é o galego-português, forma que o latim vulgar assumira no norte da península Ibérica.
 
A poesia trovadoresca
 
Poesia lírica e a poesia satírica
 
Poesia lírica
 
Cantigas de amor: originárias da Provença (sul da França) e trazidas por peregrinos, as cantigas de amor são poemas nos quais o trovador declara seu amor a uma dama inacessível; por vezes, a morte é considerada como solução para a dor causada pela paixão.
 
Cantigas de amigo: surgidas em Portugal, são uma variação das cantigas de amor em que uma mulher sofre pela ausência do amado. Eram escritas por homens.
 
Poesia satírica
 Cantigas de escárnio: textos com duplo sentido, em que se teciam críticas indiretas, veladas.
Cantigas de maldizer: são críticas abertas e violentas; o texto muitas vezes é obsceno e/ou erótico.
 
A poesia trovadoresca encontra-se reunida nos chamados cancioneiros.
 
DINIS
Nascido em 1261 e falecido em 1325, foi rei de Portugal e um dos maiores trovadores de sua época, escreveu cantigas de amor, de amigo e de maldizer, em um total de cerca de 140 cantigas, espalhadas no Cancioneiro da Vaticana e no Cancioneiro da Biblioteca Nacional. Amante da cultura, protegeu muitos poetas e fundou a Universidade de Lisboa em 1290.
 
PROSA TROVADORESCA
Representada pelas novelas de cavalaria, livros de linhagens, hagiografias (biografias de santos ou estudos sobre eles) e cronicões (crônica medieval).
Livros de linhagens eram um tipo de árvore genealógica em que constavam listas dos nomes de famílias fidalgas.
As novelas de cavalaria, originárias da França, eram o resultado da prosificação das canções épicas. Tratavam principalmente das aventuras, feitos e amores dos cavaleiros medievais.
A mais importante dentre as novelas de cavalaria é A Demanda do Santo Graal.
 
Humanismo
Durante o Humanismo (1418 a 1527) foram cultivados a historiografia, a prosa doutrinária, o teatro, a poesia e as novelas de cavalaria.
O Humanismo foi um momento de transição que modificou o pensamento medieval, preparando o modo de pensar para o Renascimento ou Classicismo.
No Humanismo o homem era valorizado, em oposição ao teocentrismo medieval.
 
HISTORIOGRAFIA
 
FERNÃO LOPES
Guarda-mor da Torre do Tombo, posto ao qual foi nomeado por D. Duarte em 1418, escreveu a crônica dos reis da primeira dinastia portuguesa.
 
RUI DE PINA
Foi cronista-mor do Reino de Portugal. Escreveu nove crônicas, das quais somente duas eram de sua própria autoria
 
PROSA DOUTRINÁRIA
 DUARTE
Filho de D. João I, nasceu em 1391 e morreu em 1438, tendo subido ao trono em 1433. Sua prosa doutrinária tem como objetivo exaltar as virtudes e chamar a atenção para os pecados.
 
POESIA
Durante o Humanismo a poesia modernizou-se, distinguindo-se do Trovadorismo graças a novos recursos estilísticos, novas formas poéticas e novos temas, afastando-a do formalismo trovadoresco.
 
GIL VICENTE
Poeta e dramaturgo português, de expressão portuguesa e castelhana. Embora existam vários documentos, sua infância e juventude são difíceis de serem descritas, cercadas de mistérios e incertezas. Em 1502 entrou a serviço de D. Leonor, viúva do rei D. João II, escrevendo, então, até 1536, numerosas peças para as festas reais nos paços da Ribeira, do Castelo, de Santos-o-Velho e nos lugares de veraneio da corte, destinados aos casamentos e nascimentos da família real, assim como às festas religiosas e acontecimentos políticos.
A obra teatral de Gil Vicente integra a primitiva dramaturgia peninsular, ao lado dos espanhóis Encina, Torres Nabarro e outros.
Sua rica produção pode ser dividida em três grupos: os autos, de enredo religioso; as tragicomédias, de enredo patriótico, mitológico ou de cavalaria e as comédias e farsas, de caráter popular.
A dramaturgia de Gil Vicente caracteriza-se primitiva e um tanto medieval. Mas, sua força dramática revela-se na individualização dos inúmeros personagens, representando todo o povo português da época.
Foi chamado o maior poeta popular da península em virtude de boa parte dessa rica produção lírica, disseminada pelas suas peças, achar-se escrita em castelhano. A grandeza e importância de Gil Vicente foram redescobertas, no século XIX, pelos românticos, que consideravam, no entanto, as peças impossíveis para o palco da época.
 
Renascimento ou Classicismo
Tendo por base e objetivo a cultura da Antiguidade Clássica (greco-latina), o Renascimento foi um dos mais importantes períodos da história da arte e da literatura, apoiando-se na razão, na valorização do homem e na busca de terras (expansão marítima) onde esses valores pudessem ser instaurados.
O Renascimento em Portugal iniciou-se em 1527, quando Sá de Miranda retornou da Itália e divulgou os ideais e formas renascentistas. As formas literárias cultivadas no período foram a poesia, a historiografia, a literatura de viagem, a novelística, a prosa doutrinária e o teatro clássico.
 
CAMÕES
 Luís Vaz de Camões nasceu provavelmente em 1524, em Lisboa, e morreu em 1580.
De família fidalga, frequentou a Corte, lá sendo muito popular por seus versos. Em 1549 integrou uma expedição com destino a Ceuta, na África, onde perdeu um olho em uma das batalhas.
Na viagem de regresso, escapou de um naufrágio, salvando os originais de Os Lusíadas, mas perdendo Dinamene, sua companheira. Viveu ainda em Málaga, na Malásia e em Moçambique.
Os Lusíadas foi publicado em 1572 e de nada adiantou para livrá-lo da miséria, que o acompanhou até a morte.
 
Os Lusíadas
Os Lusíadas versa sobre a história de Portugal, desde seus primórdios, passando pela viagem de Vasco da Gama (espinha dorsal do texto), até o reinado de D. Sebastião.
 
SÁ DE MIRANDA
Francisco Sá de Miranda nasceu em 1481 e faleceu em 1558. Levou as ideias classicistas a Portugal, além de ter introduzido o soneto na língua portuguesa. Escreveu poesia clássica, teatro e “trovas” à maneira antiga.
 
Barroco
O ano de 1580 é considerado como o início do Barroco em Portugal, devido à morte de Camões e ao fato de Portugal ter passado ao domínio espanhol. O Barroco caracterizou-se por ser uma somatória da literatura renascentista e da medieval, ou seja, a produção literária barroca tinha, ao mesmo tempo, características racionais (renascentistas) e cristãs (medievais). O artista barroco está permanentemente dividido entre corpo e espírito.
No conteúdo barroco temos o Conceptismo (jogo de conceitos), que aludia ao uso de expressões indecisas, de conclusões paradoxais, frases ambíguas e linguagem obscura.
 
PADRE ANTÔNIO VIEIRA
Em 1614 veio para o Brasil, onde estudou no Colégio Jesuítico da Bahia. Ordenado em 1635, dedicou-se à catequese dos indígenas.
Voltou ao Brasil e morreu enquanto se dedicava ao ensino e a seus sermões. Foi o maior pregador do Barroco, graças à sua cultura e eloquência. Suas obras mais importantes são Sermões (15 volumes, editados entre 1679 e 1718), História do Futuro (1718) e Cartas (1925-1928).
O Sermão da Sexagésima é provavelmente seu sermão mais famoso.
 
PADRE MANUEL BERNARDES
Nascido em 1644, em Lisboa, morreu louco em 1710.
De estilo mais simples, Bernardes fala direto ao leitor, procurando formar um bom cidadão e cristão.
 
FRANCISCO RODRIGUES LOBO
Nascido por volta de 1580 e falecido em 1622, desenvolveu a poesia (inclusive épica), a novela e a prosa doutrinária. Destaca-se na sua poesia a ambiguidade típica do Barroco: de um lado há a influência camoniana e, de outro, o conceptismo. Como poucos, evoluiu dentro do Classicismo e do Barroco.
 
Arcadismo
O marco inicial do Arcadismo é a Fundação da Arcádia Lusitana em 1756, inspirada no Iluminismo francês. Contrário aos excessos do Barroco, também é conhecido como Neoclassicismo por defender a volta dos valores clássicos e renascentistas.
O Arcadismo valorizava a natureza e a idealizava como possível lugar da felicidade.
O Arcadismo é contemporâneo à ascensão da burguesia, que, ascendendo financeiramente, deseja o mesmo no plano do poder político. O ápice desse processo foi a Revolução Francesa.
 
Alguns termos importantes ligados ao Arcadismo são:

 
LUÍS ANTÔNIO VERNEY
Nasceu em 1713 e faleceu em 1792, em Roma. Formado em Artes e Teologia pela Universidade de Évora, tencionava escrever uma grande enciclopédia pedagógica que conteria o embasamento para se compreender a mentalidade arcádica.
 
FILINTO ELÍSIO 
Pseudônimo do Padre Francisco Manuel do Nascimento, nasceu em Lisboa em 1734 e faleceu em 1819. Foi líder do grupo Ribeira das Naus, que se opunha à Arcádia Lusitana. Perseguido pela Inquisição, refugiou-se na França, onde publicou poemas reunidos nos dois volumes das Obras Completas, posteriormente expandidas para 22 volumes.
 
CORREIA GARÇÃO
Formado em Direito em Coimbra, nasceu em 1724 e faleceu em 1772. Ingressou na Arcádia Lusitana, em 1756, e exerceu grande influência ali por restabelecer as formas clássicas de expressão. Escreveu Obras Poéticas e Discursos Acadêmicos.
 
NICOLAU TOLENTINO
Nicolau Tolentino de Almeida estudou leis e formou-se em retórica. Foi oficial da Secretaria dos Negócios do Reino. Em vida publicou Obras Poéticas (1801). Em 1828 foram publicadas suas Obras Póstumas, que se tornariam, com o acréscimo de composições inéditas, as Obras Completas, em 1861. Sua poesia é impregnada de humor fino e sutil e aguçadíssima ironia.
 
BOCAGE
Manuel Maria Barbosa du Bocage nasceu em 1765, em Setúbal. Fez parte da Nova Arcádia sob o pseudônimo de Elmano Sadino. Levou uma vida boêmia em Lisboa; foi preso por ordem do Santo Ofício, cumprindo pena. Liberto, ingressou no Mosteiro de São Bento da Saúde e da Congregação de Filipe Neri, onde produziu seus melhores trabalhos. Morreu em 1805, arrependido de sua vida devassa.
A obra de Bocage é uma evolução importante do Arcadismo, pois apresenta tanto poemas neoclássicos quanto outros que podem ser considerados pré-românticos: enquanto os primeiros trabalham com uma ordem de raciocínio lógico, classicista, os outros tematizam a problemática do século XVIII, a oposição razão/coração.
 
Romantismo
O marco inicial do Romantismo em Portugal é a publicação, em 1825, de “Camões”, longo poema de Almeida Garrett. É o movimento mais revolucionário da história da literatura, pois rompeu bruscamente com os aspectos formais e estruturais de tudo o que havia sido feito antes.
O Romantismo acompanhou todas as mudanças políticas, econômicas e sociais geradas pela Revolução Francesa, voltou-se para a temática do indivíduo e seus conflitos. Dessa forma, regras de séculos foram rejeitadas, como o uso de rima e métrica e de formas estabelecidas como soneto, ode, canção, etc. O que vale é o subjetivismo do autor; a exposição do eu e de seus sofrimentos mais íntimos faz o artista abolir as regras que antes submetiam a emoção à razão.
As principais características do Romantismo são o escapismo, a subjetividade, a fuga por meio do sonho, do fantástico e do ilógico, o sentimentalismo e o lirismo, o amor à natureza e o nacionalismo.
As três fases deste movimento literário compreendem os seguintes períodos:

 
A data considerada o fim do Romantismo em Portugal é 1865, quando a Questão Coimbrã instaurou o Realismo em Portugal.
 
ALMEIDA GARRETT 
Nasceu em 1799, no Porto, e faleceu em 1854. Considerado o introdutor do Romantismo em Portugal, com o poema “Camões”, foi advogado, político e jornalista. Duas vezes exilado na Inglaterra por suas ideias liberais, escandalosas para a época, Garrett produziu poesia, prosa e teatro.
 
ALEXANDRE HERCULANO
Nascido em 1810, em Lisboa, e falecido em 1877, a obra de Herculano tem um pronunciado caráter histórico e filosófico. Escreveu poemas, romances, contos e trabalhos de história.
 
CAMILO CASTELO BRANCO
Nasceu em 1825 e suicidou-se em 1890. Formado em química e botânica, tentou ser médico, mas desistiu. Sua vida, repleta de aventuras amorosas, se refletiu em sua obra. Escreveu mais de cem volumes entre poesia, teatro, historiografia, crítica literária, polêmica, memórias e novelas. Sua obra-prima é Amor de Perdição (1862).
 
JÚLIO DINIS
Nasceu em 1839, no Porto, e morreu em 1871. Formado em Medicina, foi vitimado jovem pela tuberculose. Seu verdadeiro nome era Joaquim Guilherme Gomes Coelho. Seu texto exato e simples faz com que seja considerado o primeiro romancista moderno e precursor do Realismo em Portugal com romances que retrataram e fazem apologia da vida rural.
 
Realismo
O empirismo (filosofia que baseia suas verdades na experiência e na observação) e o positivismo (doutrina que também valorizava a experiência) marcaram este período.
Os autores realistas escreviam como cientistas: observavam a realidade e a retratavam fielmente, sem que sua subjetividade interferisse. A realidade, para os realistas, é baseada em leis naturais, atitude que levou ao Naturalismo, que não foi uma escola literária propriamente dita, mas o Realismo levado ao extremo, vendo o homem totalmente condicionado às leis biológicas.
O Realismo terminou em 1890, quando o Simbolismo foi introduzido, mas foi atuante até pelo menos 1915.
 
CESÁRIO VERDE
Nascido em 1855 e morto em 1886, era dono de uma personalidade requintada. Colocou na poesia temas que nunca haviam sido até então tratados, como o povo e o trabalho. Sua obra foi reunida um ano após sua morte, no volume O Livro de Cesário Verde.
 
ANTERO DE QUENTAL
Nasceu em 1842, nos Açores, e faleceu em 1891. Formado em Direito, as ideias liberais que abraçou entraram em confronto com a formação católica que recebeu. Esse confronto refletiu-se na sua poesia, marcada por duas tendências opostas: os temas metafísicos e as ideias de justiça social. Foi líder de sua geração e uma das importantes figuras da intelectualidade portuguesa do fim do século XIX. Socialista convicto, desiludiu-se com essa doutrina no fim da vida e, por fim, acometido pela depressão e pessimismo, suicidou-se.
 
EÇA DE QUEIRÓS
 José Maria Eça de Queirós nasceu em 1845, em Póvoa de Varzim, e morreu em Paris, em 1900. Advogado, iniciou a carreira de escritor publicando folhetins, depois reunidos em Prosas Bárbaras (1905). Participou ativamente das conferências do Cassino Lisboense, tendo proferido várias delas. Inaugurou a prosa realista em Portugal com O Crime do Padre Amaro, sendo considerado o maior romancista de Portugal.
Podemos reconhecer três fases na sua obra: a primeira é totalmente realista, procurando principalmente criticar a sociedade. A segunda é mais esperançosa, ainda que crítica. E a última retoma o pessimismo realista, com valores diferentes.
 
Simbolismo
Surgido na França, o Simbolismo foi uma reação ao Realismo que combateu a obsessão dos realistas pela precisão e pelo cientificismo, retomando o subjetivismo e o espiritualismo, inclusive românticos. As características principais do Simbolismo são o predomínio do sonho, a visão da existência como algo misterioso, inefável e inexplicável, gerando uma linguagem imprecisa e obscura, como a dos sonhos, a proximidade com a música, o uso da sinestesia (sensações produzidas pelos órgãos sensoriais invertidas ou cruzadas) e o uso intenso do símbolo, o que batizou o movimento.
O Simbolismo em Portugal durou até aproximadamente 1915, quando se iniciou o Modernismo.
 
EUGÊNIO DE CASTRO
Introdutor do Simbolismo em Portugal, nasceu em 1869 e morreu em 1944. Seu livro Oaristos (1890) trouxe a estética simbolista para Portugal. Foi professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e líder do grupo dos Insubmissos.
 
CAMILO PESSANHA
Nasceu em 1867 e morreu em 1926. Formado em Direito, foi professor em Macau, na China, onde se viciou em ópio.
 
ANTÔNIO NOBRE
Nascido em 1867 e morto em 1900, de tuberculose. Sua obra, repleta de dor e sofrimento, é composta por (1892), Despedidas (1902) e Primeiros Versos (1921).
 
ANTÔNIO PATRÍCIO
Nasceu no Porto, em 1878, e morreu em 1930. Estudou Matemática e Medicina e foi diplomata.
 
RAUL BRANDÃO
Nascido em 1867 e falecido em 1930, Raul Brandão escreveu em prosa poética, cantando a dor dos humildes com rara beleza.
 
JÚLIO DANTAS
Nascido em 1876 e morto em 1962, foi deputado, diplomata, professor e ministro de Estado. Produziu poesia, ficção, ensaios cronísticos e teatro, em que se destacou como um dos mais lidos e traduzidos autores portugueses no estrangeiro.
 
Modernismo
Iniciado por volta de 1915, o Modernismo português articulou-se em torno da revista Orpheu, organizada por nomes como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Almada-Negreiros. Insatisfeitos com os rumos da arte portuguesa, esses jovens artistas investiam contra o academicismo, o Parnasianismo e o Saudosismo.
A intenção dos modernistas era derrubar as formas estabelecidas, sem ter programa definido, e escandalizar. No entanto, a revista não foi além do terceiro número.
O Modernismo em Portugal pode ser dividido nas seguintes fases:

 
1974 aos dias atuais (Pós-Modernismo): fase contemporânea, após o fim do salazarismo, com destaque para a prosa. Dentre os autores modernistas e pós-modernistas, destacamos Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada-Negreiros
 
FERNANDO PESSOA
Nascido em 1888, em Lisboa, e falecido em 1935, foi criado na África do Sul, onde fez os primeiros estudos.
Liderou a revista Orpheu e colaborou em outras, como Portugal Futurista, Centauro, Athena e Presença. Fernando Pessoa é considerado o maior poeta português do século XX e o maior após Camões. Levando ao extremo a introspecção, criou os heterônimos, personalidades distintas da sua, cada uma com biografia fictícia e estilo literário próprios, com o objetivo de empreender uma viagem rumo ao conhecimento de todo o Universo. Criou mais de 70 heterônimos, sendo os mais conhecidos Alberto Caeiro, pregador da natureza e dos sentimentos; Ricardo Reis, humanista voltado para a época clássica; e Álvaro de Campos, revoltado e desiludido representante do século XX.
 
ALMADA-NEGREIROS
José Sobral de Almada-Negreiros nasceu em Lisboa, em 1893, e faleceu em 1970. Devido ao seu inconformismo e antiacademicismo, fez parte da Orpheu. Divulgou o Cubismo e o Futurismo em Portugal. Viveu na França e na Espanha. Além da literatura (escreveu poesia, romance e teatro), fez incursões na pintura, desenho, crítica de arte e conferências. Seu espírito incomum mostrava rasgos de verdadeira genialidade.
 
JOSÉ SARAMAGO
Nascido em Azinhaga, em 1922, Saramago foi serralheiro, burocrata, tradutor, jornalista e iniciou a carreira literária publicando o romance Terra do Pecado e poemas. A partir de 1975, dedicou-se integralmente à literatura, mas foi depois de Levantado do Chão (1980) que passou a ser considerado um grande nome da literatura em língua portuguesa contemporânea. Declaradamente comunista e ateu, suas convicções fizeram-no deixar Portugal. Em 1998 seu nome e prestígio foram levados ao mais alto patamar ao tornar-se o primeiro autor em língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura. Faleceu em 2010, aos 87 anos, em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.